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Nas comunidades costeiras do Ceará, o PNBL vai ter que chegar!

Eu sei que estou devendo como um próximo post falar um pouco da relação uso dos agrotóxicos e seus efeitos sobre o meio ambiente. Ele já está no gatilho, mas antes de postar ele, queria falar de outra discussão que também está martelando na minha cabeça.

Tudo começou quando eu vi uma movimentação de algumas pessoas que sigo no twitter sobre tal de PNBL e o uso da hastag #MinhaInternetCaiu.

Aquilo me chamou atenção por dois motivos:

1- O que diabo é essa tal de PNBL?

2- Minha Internet Caiu, quem nunca vive tendo problemas com relação a isso? Seja em casa, no trabalho, na lan-house.

Antes, cabe definir esse (e não essa como tinha colocado na pergunta acima) tal PNBL. A sigla quer dizer Plano Nacional de Banda Larga. Esse vídeo abaixo me ajudou a entender melhor essa questão, espia só antes de dar continuidade à leitura:

Então… Tenho o maior interesse em discutir isso, você não? Primeiro, porque sou um usuário assíduo desse serviço e vivo tendo problemas de conexão (todo mundo faz ola nesse momento), e segundo, pela forte relação que tenho com as comunidades tradicionais (de pescadores/as e agricultores/as familiares) que estão totalmente à margem de um acesso de qualidade a cultura e a informação digital.

Quando viajo para essas comunidades e tenho a necessidade de ter acesso à internet, ou espero “dar o sinal” – que se assemelha a uma visagem (aparece para quem e quando ela quer) -, ou tenho que me deslocar até a sede do município onde essas comunidades estão localizadas. Então vamos somar: o combustível ou o transporte até a sede e a volta, mais a taxa pelo serviço de lan-house para, por exemplo, mandar um simples e-mail.

Pessoas dessas comunidades, que se articulam (ou precisam se articular) em movimentos, redes e fóruns, necessitam cotidianamente desse serviço para levar a frente os seus projetos culturais, políticos e sociais. Não é um problema apenas de quem vive no meio urbano, é preciso incluir nessa discussão os núcleos rurais.

Vamos tomar, por exemplo, a Rede de Turismo Comunitário do Ceará – a Rede Tucum –  que articulam dez comunidades costeiras, entre indígenas, pescadores e moradores de assentamentos rurais. Tendo em vista as distâncias que essas comunidades têm uma das outras, pois o litoral cearense é extenso, como elas vão construir estratégia de marketing e promoção dos produtos e serviços turísticos comunitários? Como elas vão construir relações com os organizadores e operadores de viagens e a comercialização do turismo comunitário e solidário? Como elas vão se articular e trocar com outras redes no Brasil e no exterior que estão construindo o turismo comunitário solidário?

Com sinal de fumaça é que não e né?

Essas comunidades já sofrem com esse processo de marginalização digital arcando com custos diários de deslocamento até as sedes municipais para permitir essa comunicação, isso quando não dão uma viagem perdida, pois “o sinal” (que parece uma divindade mesmo) pode não ter dado o ar da graça lá.

Nesse processo perdem os turistas, que tem como única opção o turismo de massa que detém do capital necessário para manter este serviço de comunicação (PS.: esse turismo de massa ainda ocupa e destrói os ambientes naturais, além de desestruturarem os modos de vida dessas comunidades), perdem as comunidades e as suas estratégias de afirmação dos seus territórios e modos de vida, e perdemos também a possibilidade de construirmos um novo projeto de desenvolvimento assentados em um princípio de não acumulação capitalista, de não destruição dos ambientes naturais e de valorização das culturas tradicionais.

Este é apenas um exemplo, imagine quantas outras experiências como essas estão sendo desmobilizadas por este fator?

Vamos continuar omissos e apáticos a essa discussão enquanto: o governo não dialoga (ou não quer dialogar)  sobre esse plano; as empresas que dominam esse mercado, lucram e continuam oferecendo esse serviço meia boca; nós das grandes metrópoles pagamos um preço caro por um serviço ruim; e essas comunidades pagam ainda mais caro por um serviço muito pior?

Então senhor Ministro que ironiza ‘Tuitaço’ de internautas e tantos/as outros/as cidadãos/ãs preocupados/as com os rumos do PNBL, se o seu governo não está preocupado com uma maior participação popular no debate sobre esse plano, nós (entidades, blogueiros/as, tuiteiros/as, feicebuqueiros/as e comunidades dos mais diversos lugares desse país) estamos sim preocupados com isso, pois a “Banda larga é um direito nosso” que não deve ser entregue de bandeja às empresas capitalistas (teles) para elas fazerem o que e como elas quiserem com esse direito!

23:45 do dia 21 de julho de 2010 era a hora que ia postar, mas teve que esperar até agora, pois a #MinhaInternetCaiu!

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