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Em tempo de intolerância, um dia de diversidade e pluralidade no Brasil: Jovelina, São João e Xangô Menino!

Da madrugada de quinta (23/06) para sexta (24/06) a religiosidade popular celebra por meio de festas, danças, fogueiras e comida o dia dos seus santos: São João Batista (para os católicos) e Xangô Menino (para os umbandistas).

Eu mesmo me reuni ontem com amigos/as para celebrar, entre outras coisas, esses dois santos. Apesar de nem ser católico e nem ser umbandista, eu acho irresistível essas celebrações, até porque elas têm cores e sabores que fascinam!

São João Batista era um pregador popular, diferente de muitos Malafaias e Felicianos, pois ele era identificado como operário (portanto pobre ao contrário dos ricos pastores evangélicos e católicos do “povo de Deus”) amigo da justiça e da verdade. Por conta da sua trajetória junto aos mais empobrecidos e de seu discurso que incomodava o poder político e religioso, ele foi assassinado.

É importante fazer, atualmente, o paralelo da história de João com tantos/as mártires da luta do povo, que assim como João, foram assassinados/as por denunciarem a situação de exclusão e opressão que os mais empobrecidos/as viviam e vivem! Lembrando aqui o nome de Margarida Alves, Padre Josimo, Ir. Dorothi, e mais recentemente, Zé Cláudio e Maria Espírito Santo, todos/as São João Batista!

Xângo na Umbanda tem muitos traços parecidos com João, pois o mesmo é considerado um justiceiro. Seu símbolo é o machado (já gostei pela sua semelhança com o comunismo) de duas faces, significando que tanto protege seus filhos das injustiças, como os pune quando estes a cometem.

O que acho legal nessa parada da religiosidade popular é que os santos são muito mais que arquétipos e mitos, pois eles não são revertidos apenas de virtudes e pieguismo, eles têm os seus vícios também. Talvez o vício dos dois santos seja a rigidez com que vivem as suas leis, tornando-se um pouco tiranos com aqueles que não as observam da mesma forma como eles, eles são extremamente radicais.

É fantástico perceber que em tempos de extrema intolerância religiosa personificadas em marchas a favor da homofobia e da não liberdade religiosa, de afetividade e de expressão, o sincretismo religioso e a religiosidade popular aparecem como exemplo a ser seguido. Creio que esse tipo de religiosidade, apesar das suas contradições, considera mais fortemente a humanidade do que a divindade.

Acredito que é justamente essa religiosidade popular que formou a sábia, e porque não profetiza, Jovelina das Cruzes, que mesmo em estando numa Marcha contra os direitos LGBTT, o aborto e a maconha, usou um discurso simples, mais muito mais sábio do que diria qualquer pastor, bispo, padre ou papa!

Na tal Marcha para Jesus (cujo dono da festa nem deu o ar da graça, pois deve ter mais o que fazer) muitos/as jovens disseram ser contra a união civil de pessoas do mesmo sexo, aborto e legalização das drogas e defenderam os pastores que consideram a homossexualidade uma prática pecaminosa.

“Quem defende a homossexualismo e a maconha está aqui a serviço de Satanás”, disse o auxiliar de informática Natanael da Silva Santos, de 19 anos, que foi à marcha usando calça apertada, cinto de taxinhas e a tradicional franja emo. Enquanto a reportagem entrevistava os jovens, a aposentada Jovelina das Cruzes, de 68 anos, ouviu a conversa e fez uma intervenção. “Vocês estão falando sobre o que não conhecem. Meu sobrinho é gay e é um rapaz maravilhoso. Ótimo filho, muito educado, muito honesto e estudioso. Já o meu filho é machão e vive batendo na esposa, não respeita ninguém, não para no emprego.”

Quando Jovelina virava as costas para continuar a marcha Natanael, que não se deu por vencido, fez uma observação. “Cuidado, tia. Se o pastor escuta a senhora falando uma coisa dessas, ele não deixa mais a senhora entrar na igreja”. E Jovelina respondeu. “Igreja é o que não falta por aí. Se me impedirem de ir em uma, vou em outra. Não tem problema.”

Engraçado, num dia de sincretismo religioso como este, aparece essa figura que nos remete a João e a Xangô, pois D. Jovelina usou um argumento simples, mas muito sábio e justo! Ela esteve, como esteve João, ao lado e com um discurso a favor das minorias. Ela usou o machado da justiça de Xangô, e esmagou o discurso opressor de sua própria religião! Ela seguiu a sua marcha, e dentre tantas pessoas com microfones e megafones, aquela senhora profetizou, foi uma voz destoante em meio a intolerância!

E para D. Jovelina e todos/as que gostam da Festa de São João e Xangô Menino dedico essa música aê abaixo! Viva São João, Viva Xangô Menino, Viva D. Jovelina, Viva a Justiça, a Liberdade e a Diversidade!

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