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Tirando a Poeira do Blog

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos”.

Fernando Pessoa

Fiz questão de retomar o meu blog com esta poesia de Fernando Pessoa, porque ele retrata muito bem o momento que ainda estou passando hoje.

Pensava, pelas tantas vezes que já fiz na vida, que uma mudança de casa era apenas um deslocamento estrutural/físico e que as rotinas se permaneceriam. A mais ou menos um mês e meio mudei de casa novamente, mas dessa vez para um bairro distante da minha vida social. Com isso, algumas boas e não tão boas mudanças na vida surgiram…

Flashback:

Em outubro de 2010 saí da casa de minha mãe. Não que eu tivesse algum problema com ela, muito pelo contrário, mas senti que era a hora de tomar meu rumo. Procurei arduamente um AP, até que encontrei. Porém não tive muita sorte com ele, porque simplesmente ele se autodestruiu. É uma história muito longa que pode ser resumida em chateações, perdas, prejuízos, desgastes e dívidas que perduram até hoje.

Em dezembro de 2010 fui transferido para outro AP, maior, amplo e que não apresentava os mesmos problemas estruturais que o anterior. Mas, por outro lado, tive sérios problemas no que se refere à convivência, porque acabamos desobedecendo ao ditado: “um é pouco, dois é bom e três é demais”. Morar juntos três pessoas que concebem o mundo de uma forma diferente, obviamente que resultariam em muitos desgastes.

Num vou sair acusando ninguém, pois, na verdade, nesse jogo de morar junto todo mundo deu a sua colaboração para que os desgastes surgissem (o desgaste que provoquei foi por causa do Rick, que quero dedicar um post especial, aguardemos).

Mesmo que essas duas mudanças tenham sido um período conturbado também, elas não alteraram muito a dinâmica em que minha vida se encontrava, pois eram em bairros próximos ao meu círculo de convivência (inclua família, amigos/as, faculdade, trabalho…). Mas em junho deste mês, por conta dos desgastes, eu e as duas outras pessoas que moravam comigo decidimos que já não rolava mais, e mais uma vez, em um período de um ano, estou eu me mudando novamente.

Pensei que era hora de morar sozinho. Até procurei uma casa ou algo assim, mas ou não rolava, porque era muito desconfortável, ou não cabia em meu orçamento. Para minha sorte, nesta procura por casa, três amigas minhas, que são irmãs de sangue, também estavam se mudando e me convidaram para morar com elas. Encontramos uma casa grande, ventilada e muito agradável, mas em um bairro distante da minha vida social.

Eu acabei me mudando motivado pelo afeto que tenho com essas pessoas e por reconhecer a necessidade de abrir novos caminhos, conhecer outras pessoas, olhar as coisas em que eu estava tão inserido de fora, de mudar a minha rotina… Enfim.

Digo que está sendo uma bela experiência porque tenho uma grande identificação com as pessoas que moro hoje; estou me alimentando melhor (já que, além de mim, moro com excelentes cozinheiras), consegui melhorar a minha relação com o meu trabalho; tenho me controlado mais do ponto de vista financeiro (estou saindo bem menos, pois estou morando num bairro distante das badalações da cidade e o meu último ônibus é 22:40, então saídas noturnas drasticamente reduzidas); estou vendo muitos filmes em casa (hábito que queria adquirir há algum tempo); estou morando com o meu Rick (próximo post); etc.

No entanto, ainda estou tendo dificuldades de seguir algumas exigências do meu ativismo (na movimentação desse blog, na participação de listas e grupos eletrônicos, na participação de reuniões, debates e plenários); exigências da família que cobra visitas, ligações e notícias; exigências de alguns amigos e amigas que me querem sempre por perto; exigências do meu sono (dormindo pouco durante a noite e muito de manhã); do meu mestrado, que desde que m mudei não consegui retomar, enfim; algumas exigências da minha rotina que precisam de uma adequação do “know how” e do próprio tempo.

A idéia desse post não é justificar, mas dizer os motivos que me fizeram “engavetar” o blog por uns dias e, também, para pedir aos/às companheiros/as e amigos/as que tenham um pouco de paciência. É um novo caminho, é uma mudança (não apenas da estrutura física, mas com ela se muda os rumos, os sentidos, as perspectivas), e a gente precisa demandar o tempo que as coisas realmente precisam para acontecer.

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