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Sejamos donos de RAÇA: a história da adoção de um cachorro

Antes de contar a minha história de hoje, queria começar mostrando os seguintes casos que chegam semanalmente no meu e-mail:

CASO 01 – Cão abandonado em terreno baldio na esquina das Ruas Barão
de Aracati com Costa Barros. O terreno é todo murado, não tem como

Rick, Garoto propaganda do "Eu não sou descartável"

colocar água e comida, ele está preso lá dentro.

CASO 02 – Foto do cão preto e branco, peludo. Está abandonado na rua,
na Av. Raul Barbosa, próximo ao Auto Peças O Cordeiro, é idoso,
aparenta ser cego, a população quer chamar a carrocinha.

CASO 03 – Filhote, aproximadamente 05 meses, amarrada na rua, sob sol e
chuva. Encontra-se na R. Livino de Carvalho 6925, casa E. Segundo
informações a rua seria facilmente localizada via Av. João Pessoa na
altura da Igreja Universal, quando se entraria.

CASO 05: Cadela, aparentemente com filhotes, abandonada na rua na
Cidade 2000.

CASO 06 – Princesa – precisa de adoção, pois seus donos irão para um
apartamento e não querem levá-la, está ameaçada de abandono. Negão –
cão idoso, de grande porte, também ameaçado de abandono pelos
donos.

Apenas na cidade de Fortaleza registra-se pelo menos 30 mil animais em situação de abandono e  maus tratos! Casos como esses citados acimas (fatos reais) não representam nem 1% dos animais vitimados, e olhe que há casos muito piores, como sujeição a atropelamentos, exposição ao frio, fome, viroses, envenenamentos e, pasmem, incendiados!!!
Esse tipo de prática de posse irresponsável ou de abandono desses animais é fruto da cultura ideológica capitalista de dominação humana sobre as demais espécies e da cultura do descartável, ou seja, depois que o meu desejo de consumo foi saciado, simplesmente eu descarto. Esse descarte acontece ou porque o animalzinho deixou de ser interessante para o sujeito, ou porque ele dá trabalho, ou porque ele requer atenção, ou porque ele ficou “feio”, doente, etc.
Na minha infância tive apenas dois cachorros, que infelizmente não tiveram finais felizes porque eu era criança e assim como os dois, estava subordinado as vontades das pessoas adultas. Quando as pessoas adultas não o quiseram mais, eles foram abandonados e o fatos sobre o que aconteceu com eles omitidos a mim.
O tempo foi passando, até que conheci uma amiga que é simplesmente apaixonada por cachorros. Ela é membro da APATA – Associação Protetora dos Animais de Fortaleza e adotou 3 cãozinhos: a Flor, que foi encontrada totalmente descadeirada por conta de um atropelamento; o Garoto, que também foi encontrado na mesma situação que a Flor, e; a Céu, que foi encontrada carbonizada! Hoje, são três cachorrinhos/as lindos/as e saudáveis.

Céu antes

A mãe da Flor, da Céu e do Garoto, que colocou no meu caminho o Ricardo. O Ricardo tinha esse nome, porque foi encontrado atropelado próximo do trabalho dessa minha amiga. A nomeação dos cachorros abandonados é bem aleatória: ou são nomeados com a denominação dos bairros em que eles foram encontrados, ou de alguma coisa que referencie aquele lugar.Ricardo era o nome do chefe da minha amiga, e como ele foi encontrado próximo do trabalho dela…. rsrs.

Bom, o caso é que ela me manda um e-mail intitulado “Ricardo precisa de um lar”. Neste ela descreveu a situação do cãozinho: tinha sido atropelado; estava com uma fratura na pata traseira, que provocou uma luxação entre a patinha e a bacia; iria passar por uma cirurgia que não ia corrigir os danos do atropelamento, mas que iria aliviar as dores do animalzinho, pois caso não fosse operado, a cada movimentação dele, o osso da patinha iria roçar no asso da bacia, causando uma dor tipo artrose.
Inicialmente não me manifestei, porque naquela época dividia apartamento e era bem complicado ficar com um animal, já que a outra pessoa não gostava. Entretanto, a minha amiga da APATA

Céu depois

Rick antes (ainda Ricardo)

começou a se desesperar, porque o cãozinho já iria ter alta e não tinha nenhum lugar pra ficar. Diante daquela situação que envolvia o bem-estar e a própria vida do animal, eu me ofereci para ficar temporariamente com ele.
Combinei com a pessoa que morava na época, que era uma situação temporária. Para aumentar as minhas chances dele poder ficar lá em casa, tive que inclusive inventar uma história para parecer  mais convincente.
Ela ficou de acordo comigo. Só que as coisas tomaram um outro curso: primeiro, porque no prazo que combinamos não consegui uma pessoa que adotasse o Rick; segundo, eu me apeguei a criaturinha; e, terceiro, lembra dos desgastes que eu causei, pois é, mentira tem perna curta e a minha “roommate” descobriu toda a verdade e aí foi uma confusão sem fim.
Foi um período bem difícil, pois o Rick (novo nome que dei a ele) ficava trancado no meu quarto o dia inteiro e eu tentava evitar uma convivência dele com a minha “roommate”. Estava com um sentimento de culpa tanto em relação ao cãozinho quanto à minha “roommate”.
Mandei vários e-mails desesperados à UPAC – União dos Protetores de Animais Carentes e à APATA, mas ninguém tinha como me socorrer na época. Enquanto isso, Rick tinha que continuar comigo, pois eu não tinha coragem de jogá-lo na rua.

Rick depois! Feliz em sua nova casa!

Ao me ver desesperado com aquela situação, meu pai resolveu ajudar. Ficou temporariamente com o Rick até que eu conseguisse encaminhá-lo para um dono permanente. Entretanto, com toda a situação que contei no post anterior, tinha que mudar novamente e foi aí que resolvi que não iria mais abrir mão de ficar com o meu cachorro.
Primeiramente, resolvi que queria morar só eu e ele. Procurei casa, apartamento, mas não encontrei nada que fosse bom para nós dois. Quando eu encontrava, os proprietários dos imóveis é que não aceitavam animais, a velha mania de higienização social, que não permite uma convivência com animais.
Quando recebi o convite para dividir aluguel de novo, já coloquei como condição: “só vou se eu levar o meu cachorro”. E hoje, moramos eu, minhas três “irmãs” e o nosso Rick.
Não podemos dizer que estamos vivendo o final feliz, porque o Rick está com uma crise de ansiedade, chorando muito quando eu não estou em casa (talvez por medo de numa dessas minhas saídas, eu não volte mais, já que tinha deixado ele uma vez), com muita dificuldade de se alimentar e, recentemente, apareceu carrapatos.
Confesso que tudo isso dá muito trabalho, requer paciência, tempo, carinho. Mas não quero fazer como os donos dos cãozinhos dos casos acima! Quero proporcionar ao Rick uma vida feliz e tranquila para compensar os sofrimentos dos abandonos, das moléstias e das agressões da sociedade covarde e cruel que vivemos.
A minha experiência relatada nesse post, somada a experiência de outros/as pessoas que conheço é para que sejamos donos de RAÇA e não VIRA-LATAS como os tantos que existem por aí.

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1 Comentário

  1. Helô disse:

    Nem precisa dizer que AMEI a campanha, né?!?! Sei bem o que é adotar um animal e das dificuldades de ficar com eles… mas sei tb que eles valem muito a pena e campanhas coo essa são extremamente necessárias pra conscientizar de que animais não são brinquedos, de que precisam de nós (apesar de achar que nós precisamos mais deles), de que o amor é maior e vale mais do que qualquer espécie,raça ou pedigree!!!

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