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O “Dia Sem Carro”, “Transporte Público” e a “Classe Média”

Hoje pela manhã postei a seguinte frase no Facebook:

“Eu seria a favor de uma eternidade sem carro, se o transporte público estive a altura dos/as trabalhadores/as brasileiros/as! Coisa mais fácil é culpabilizar quem consome e não quem produz e dá incentivos para produzir/consumir veículos particulares!”

Como tudo na vida, algumas pessoas curtem e outras não! Aos que não gostaram, que até são pessoas muito queridas, eu só posso dizer que sinto muito por não terem gostado, mas acredito mesmo que fazer o “Dia Sem Carro” é totalmente burguês, superficial e em nada tem de emancipatório!

Com isso quero parecer melhor que alguém? Que sei toda a verdade? De maneira nenhuma. Minha opinião parte de mim e do que me rodeia. Eu não tenho carro e quando não é carona, a minha vida se fez sempre dentro de um GOLF – Grande Ônibus Lotado e Fedorento! E mais uma vez me desculpem @s meus amig@s que discordaram, mas desde que as conheço, eu SEMPRE vi vocês dentro de um carro, inclusive, peguei várias caronas com vocês. Estou certo? Vixe, depois disso, carona nunca mais…

E por que o dia sem carro é um dia da burguesia feliz? Porque ela, a burguesia, tem um carro (quando não é um para a mamãe, o papai e o filhote = 3) na garagem e pode deixar em casa por apenas UM DIA! Amanhã todo mundo pega o seu carro novamente e pronto! Salvei o planeta!

Voltando a minha frase, eu não lembro ter dito que era a favor dos carros! Eu não sou! Agora sou super a favor de um sistema de transporte público amplo, confortável, diverso e seguro!

O fato de eu ter mencionado isso incomoda?

É uma pena, mas realmente não consigo desligar meu ambientalismo sem pensar em justiça social! Isso mesmo! Justiça social, afinal quem é usuário de transporte público nesse país? A classe-média? Por favor, né?

Existe, majoritariamente, um grupo étnico, racial e de classe, que suporta uma parcela desproporcional resultantes da ausência ou omissão de políticas públicas – como o transporte público. Eu, particularmente não faço parte desse grupo, porque sou branco e de classe média (sempre perigando voltar a ser pobre), mas além de me solidarizar com esses/as companheiros/as eu também sei o que é todo dia sair da periferia para chegar até as áreas comerciais e empresarias de uma cidade grande de busão! E a essa distância, sinto muito, mas ela toda de bicicleta é inviável! Uma parte, até que sim!

Aí vem camarada me dizer que essas pessoas e eu (pois não vou andar/pedalar 24 km todos os dias para sair da periferia que moro até a área nobre) porque somos preguiçosos! Levamos maior sarrafo, porque não saímos mais cedo e chegamos mais tarde de casa e de bicicleta porque é cult-bacaninha-ecológico! Oi?

A questão é bem simples que quis tratar com essa frase: transporte público eficiente, diversificado e integrado (ônibus, metrô, bicicletas) = menos pessoas insatisfeitas (pobres e ricas), logo, menos incentivos para (a classe média principalmente) comprar um carro!

Como se faz isso?

Porque não transformar o “Dia Sem Carro” em “Dia de Luta e Mobilização Social Pela Melhoria do Sistema de Transporte”? E a partir desse dia, criamos uma agenda de movimentação para enfim concretizar um projeto de transporte sustentável, seguro e eficiente, garantindo inclusive as ciclovias, os “bicing” (para quem quiser fazer todo ou parte do trajeto de bike) e a integração deles com o transporte público motorizado?

E será fácil assim? Não. Todas as conquistas em termos de políticas públicas foram feitas à custa de muitas mobilizações da sociedade (são consultas, disputas, debates). É só ver o caso das políticas públicas para as mulheres, até hoje as feministas e os movimentos de mulheres estão nessa luta!

Com esse caráter, numa perspectiva de justiça ambiental, onde as pessoas e o meio ambiente são beneficiados, eu faço questão de participar, mas enquanto for esse discurso culto ao silvestre classe-média sofre, próximo ano vou pautar (e não reclamar) de novo!

E se as pessoas me acham infeliz porque “reclamo” no FB, vou copiar a frase do meu amigo Armando: “as mudanças nascem de angústias”.

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