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Rompendo silêncios

Trabalhar em Pastorais, Movimentos e ONGs é uma experiência profunda de trabalho em grupo, e como todo trabalho em grupo, tem como objetivo somar esforços para alcançar objetivos que, isoladamente, não poderiam ser alcançados.


Este trabalho pode ser entendido como uma estratégia para elevar a qualidade de vida das pessoas, através do empoderamento, da mobilização e da conquista de direitos pelo sujeitos de luta.
Não quero aqui questionar o trabalho de movimento A ou B, até porque acredito no potencial deles na luta por direitos. O que quero questionar é: se estamos em um espaço de luta por direitos, porque não começamos fazendo dentro da nossa própria casa?

Piso salarial, carga horária, FGTS, férias, greve, tudo isso foi (e ainda é) fruto de muita mobilização de trabalhadores/as que queriam tirar a si e a seus companheiros do poderio sem limite dos patrões e das situações degradantes de vida que passavam.
Garantir esses direitos tem um custo para quem contrata, mas é seu dever garanti-los, inclusive as organizações sociais sem fins lucrativos, que parece que faz questão de ignorar.
As consequências de quem não cumpre a legislação trabalhista são contratações injustas, várias horas de trabalho prolongado, salários muito atrasados, não gozam de férias, não recebem hora extra e por aí se vai…
Falar sobre isso parece um Tabu: os/as dirigentes não tocam no assunto porque eles/as, podendo ou não ter esses direitos trabalhistas, estão em um lugar confortável de poder nessas instituições (outro grave problemas de muitas instituições é essa horizontalidade de poder); e os/as funcionários/as se decidirem apelar para a justiça, temem não serem recolocados profissionalmente, porque a sua fama de “descompromissado” com a luta se espalha rápido como pólvora.

Bom, essa conversa é frequente entre quem trabalha nessas organizações sem fins lucrativos. São as conversas de corredores. Eu mesmo fiz parte de muitas delas com muitos/as outros/as companheiros/as. Nesse momento me parece confortável tratar do assunto já que estou me afastando dos movimentos para estudar e ter outras experiência de trabalho, o que não anula a minha militância, é uma oportunidade de vê-la e exercê-la sobre um outro espectro.
Espero que, mesmo no meio dessa crise que vivem essas organizações, essas conversas ultrapassem esses corredores e cheguem até a mesa, as rodas de conversas, debates e disputas. Seria, na minha opinião, uma forma concreta de ingressar na justiça ao invés de engolir a injustiça, como comentou o Felipe Corbett no meu post anterior.

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