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Depois de dias de silêncio…

Estava em tempos que não queria falar muitas coisas. Na verdade não queria falar nada. Sei que lá fora tá tudo errado, mas aqui dentro também…

Eu fiz mais do que realmente poderia ter feito, isso é perigoso. Busco agradar as pessoas que amo, mas acabo enfiando os pés pelas mãos e ponho tudo a perder porque perco o controle da situação. Me comprometo com coisas que não deveria, porque não quero dizer não. Mas acabo sendo engolido pelo tempo e pela rotina. Pelos outros muitos outros comprometimentos que também me recusei a recusar. Aquela velha frase: de boa intenção o inferno está cheio.

Tenho dificuldade de reconhecer os meus limites e limitações. Cometo excessos graves. Falo o que não devo e calo quando devia falar.

Eu sou desorganizado no dia-a-dia, nas finanças. Durmo demais, gasto demais, falo demais, me abro demais, tudo demais…

Como reclamo… Isso incomoda muitas pessoas que estão ao meu redor. Dou asas as minhas insatisfações. Perco as energias para trabalhar, escrever, criar porque potencializo a insatisfação e não a resignificação daquilo que faço.

Aborreço muita gente com as minhas infantilidades. Reconheço que perco o limite do meu lugar. Qual é o meu lugar? Até onde posso chegar, falar e calar?

Sou muito covarde. Tenho dificuldades de abrir o jogo. Uso da omissão, minto, finjo para não ter que desagradar… E o tiro sempre sai pela culatra. Pelo menos comigo, sempre!

Eu fiquei (estou) vulnerável aos meus entorpecimentos amorosos, cultivando as projeções. Eu dispenso os olhares a mim dirigidos e procuro os olhares que a mim dispensam. Perco oportunidades e oportunizo a falência dos meus relacionamentos mais superficiais. Gosto de dar murros em pontas de faca.

Cometi erros, fiz coisas das quais não me orgulho e magoei algumas… Muitas pessoas.

Mas esse tempo de reclusão e crise, na companhia dos meus pensamentos, do meu silêncio e da minha introspecção, cheguei a conclusão que por mais que hajam erros, e com elas algumas perdas, podemos nos reconstruir.

Já dediquei muito tempo para sentir (apenas) tristeza, para matar um amor que ainda amo, para continuar me culpando por toda a minha e a infelicidade do outro, para pensar no que devo e posso fazer. Não sei se daqui para frente serei diferente em absoluto, mas não faz sentido viver uma crise sem mudar nada.

Decreto o fim dos meus dias de silêncio, até que venha outra crise. Hoje, quero a tristeza habitual, a alegria comedida, a leveza dos sorrisos, do abraço, do carinho e as pesadas lágrimas da saudade, do amor não correspondido, das tristes canções e histórias. Quero outros (muitos) amores, fechar muitos ciclos antigos e abrir poucos novos. Quero também poucos/as amigos/as, mas muitos conhecidos/as. Quero ser menos negligente, mais paciente. Quero mais músicas, mais poesia, fotografias. Quero ser ainda mais introspectivo, não quero falar sobre tudo e também não deixar de dizer nada.

Quero não querer ter tantas coisas e ser apenas o suficiente. Eu quero ser suficientemente perfeito e suficientemente defeituoso.

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1 Comentário

  1. […] havia afirmado em um post anterior que tinha decretado o fim dos dias de depressão. Este era mais um desejo do que um fato consumado. […]

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