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Um desabafo aos/às amigos/as, amantes, amores e a quem mais interessar…

Queria aproveitar uma crise de relações para fazer um desabafo mais amplo, que atinja todos os campos de relações possíveis.
Considero-me uma pessoa não muito fácil, alguns me chamam de manso e outros até de escroto. Isso porque tenho a medida do tolerável e do intolerável. Umas das coisas mais intoleráveis para mim é, de alguma forma, por mais sutil que seja, me sentir controlado.
Desde muito cedo tive que ter autonomia para levar a minha própria vida. No limiar entre a infância e a adolescência não tinha mais meus pais olhando notas, agendas e boletins. Já me sentia responsável por isso e o fazia, modéstia parte, de uma forma exemplar. Sim, eu era CDF e gostva de ser um por mim mesmo e não para ganhar um vídeo-game de natal porque tinha boas notas.
Muito cedo também comecei a ganhar meu próprio dinheiro, trabalhei como auxiliar de escritório, dei aulas particulares, trabalhei em projetos com uma carga imensa de responsabilidade e uma remuneração de miséria, até chegar no campo das ONGs e Movimentos sociais.
Para o vestibular, acordava todos os dias 4 da manhã, estudava até meio dia, trabalhava a tarde inteira e ia para o cursinho (bancado por mim).
Na faculdade, era uma verdadeira acrobacia: conciliar a rotina de aulas (meu curso era integral), os trabalhos, as provas, os estágios e o trabalho (caso não trabalhasse não teria condições de me manter estudando).
Não quero com essa enumeração de coisas provar de forma absoluta que ‘da minha vida, deixe que eu tome de conta pois eu sei muito bem como me virar’. Eu não tive sucesso em tudo que planejei e também nunca deixei de precisar das pessoas. Muito pelo contrário, grandes pessoas estiveram (estão) ao meu lado e foram (estão) me construindo. Isso porque de alguma forma elas acreditaram em mim, no meu potencial, confiam em mim, etc.
Agora eu tenho como compromisso comigo mesmo a não submissão. Eu não me submeto a ditames por gratidão se eu considerar que seja prudente, justo, pertinente… E se isso vale para os meus familiares, aos quais as relações de submissão parecem ser naturais (o que já contesto), imagine para os/as meus/minhas amigos/as e demais relacionamentos.
“Se você ama alguém, deixo-o livre” são palavras de Roberto Freire que traduzem o sentimento de amor que carrego pelas pessoas, porque eu aprendi a amar assim na minha base: Meus pais, que arriscaram a estrutura de nossa família para construir outras famílias; meu irmão, que desde muito cedo deixou de ser esse tradicional modelo de filho e irmão e hoje é, por livre escolha dele, seminarista. Hoje, não temos posse um sobre o outro e quanto mais nas decisões que queremos tomar em nossas vidas. No máximo, conversamos a respeito, contrapomos às ideias, mas cada um decide por si. E mesmo em meio a essa desestruturação, nos amamos.
Nas relações que quero contruir com as demais pessoas, por mais caras que elas sejam, tenho esse princípio. Logo, exijo o mesmo para mim.
Lembro-me de muito de uma tia, esta que me ensinou a trabalhar, que dizia uma frase que carrego até hoje: “não deixe que ninguém o segure pelos pulsos” e isso eu não admito de maneira nenhuma!
Portanto, amigos/as, amantes, amores, irmãos/ãs e seja lá o que for, agradeço a “preocupação” de me “alertar” sobre o que faço e da forma como faço, mas uma condição para que a gente continue sendo o que a gente é, é:
Me ame e me deixe livre para amar, para ir aonde quiser, para brincar, para correr, para cansar, para dormir em paz, para planejar, para me frustar, para me sabotar, […] e, principalmente, para ser o que sou.
Isso, em hipótese nenhuma, exclui a possibilidade de eu pensar e repensar sobre mim mesmo a partir do/a outro/a, mas que o método seja a partir de um diálogo sério, de olho no olho, com franqueza e sem posse.

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