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O Trajeto: Baseado em fatos reais…

Estava em um barzinho cinco amigos: quatro moças e um rapaz. Todas eles brancos, do ambiente acadêmico e que gozavam de determinados privilégios, como o de poder destinar parte de seu recurso mensal para tomar uma cerveja em um barzinho.

A noite tardou quando decidiram que já estava em boa hora de partir. Enquanto pediam a conta ao garçom, decidiam como seria o trajeto de volta para as suas residências.

Para uma das moças, era tranquilo pegar uma condução na praça, apesar da frota de ônibus, naquele horário, já está reduzido. Já a outra, iria fazer o trajeto de carro que estava estacionado nos arredores da universidade, bem próximo do barzinho. Outra não sabia se iria dormir na casa dos outros dois amigos ou se pegaria um táxi para a sua casa, mas diante dos muito compromissos que teria no dia seguinte, optou por ir para sua própria casa. E os dois sobrantes estavam na dúvida se iriam fazer o trajeto de volta a pé ou de táxi, já que era tão perto.

Decidiram então o trajeto:  juntos iriam esperar o ônibus da primeira amiga, depois acompanharia a segunda amiga até o seu carro e por fim os outros três retornariam a praça para apanhar um táxi. Parecia uma plano tranquilo de ser executado, afinal os trajetos eram relativamente curtos.

A amiga do busão seguiu tranquilamente, apesar de que o primeiro ônibus se recusou a parar. Era hora de deixar a segunda amiga em seu carro e nesse pequeno trajeto, a desventura.

Enquanto caminhavam, passava pelo cordão da calçada um moço de bicicleta. Vendo que não tinha niguém mais na calçada, a não ser esses 4 amigos (três moças e um rapaz), o moço passou e voltou dizendo para eles: “Não quero machucar ninguém, desde que me passem o telefone”. Ficaram paralizados por alguns instantes, foi um susto!
Duas das moças, percebendo que o moço não estava armado e como estavam um pouco adiante da bicicleta, correram. Os outros dois (o rapaz e uma das moças) até pensaram em correr, mas foram encurralados pela bicicleta, pois o moço jogou o pneu dianteiro com força sobre a perna esquerda do rapaz e parecia querer pegar com as mãos a moça.

Diante daquela situação em que a moça parecia aterrorizada com a aproximação do moço da bicicleta, o rapaz nem pensou: ou entregava o celular ou ele iria agredí-los fisicamente pela posição de luta que o moço já parecia adotar. Foi então que o rapaz entregou o que o moço desejava. O moço então se distanciou e desapareceu apressadamente no horinzonte da movimentada avenida.

Fazer o que diz a canção Cartomante quando diz “Não ande nos bares, esqueça os amigos. Não pare nas praças, não corra perigo” é uma solução que em nada muda, é pequeno, não transforma. Nos privamos da liberdade porque muitos, como esse moço da bicicleta, são privados do que é mais fundamental: direito a educação, saúde, esporte, lazer, trabalho, cultura, enfim, da vida, que hoje é privilégios de alguns.

Enquanto a felicidade for subtraída a objetos que podem ser consumidos por alguns e inatingível para outros, os trajetos continuarão repletos de estorvos.

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