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Liberação dos homens e mulheres, liberação dos animais!

 

Meu post de hoje é uma homenagem ao meu companheiro Rick, um peludinho que há um ano foi encontrado por uma amiga. Ele estava abandonado, maltratado e ferido por um atropelamento nas ruas da cidade de Fortaleza e tive a sorte de adotá-lo. Pensei inicialmente que poderia falar dessa trajetória, mas entramos em um consenso e achamos melhor falar de uma intersecção da história dele com a de outros animais que também vivem a margem. Considero que esse seja um presente justo!

Rick, meu bonitão - aniversariante do dia

Sei que algumas pessoas estão de saco cheio de tanto que se posta sobre animais abandonados no FB, em um contexto em que a vida humana vive as mais cruéis e duras indignidades.

Acho que o caso do York Shire melhor ilustra isso pela grande adesão de indignados (maior parte delas arriscaria dizer que é da Classe Média) que postavam incansavelmente a respeito do acontecido, enquanto de outro lado, uma criança indígena também foi assassinada em decorrência da expansão do capital privado sobre territórios tradicionais indígenas, e pouquíssimas notícias e notas de solidariedade foram veiculados no referido site de relacionamentos.

De minha parte, acredito que entre esse fervor na defesa dos animais e na defesa dos direitos humanos há uma linha muito tênue: em ambas me parece haver uma contestação sobre como a vida (em suas diversas expressões) tem sido apropriada pelo sistema do capital.

É óbvio que muitos (não todos) defensores dos animais têm certo asco de serem considerados comparáveis a ativistas radicais dos direitos humanos. Na verdade alguns que conheço têm asco de gente, qualquer que seja, e chega a se expressar favorável ao sistema capitalista, fazendo vista grossa, abstraindo a maneira de como ele degrada a vida (entendida aqui de forma ampla, complexa…).

Não há saída para quem tem a intenção de defender profundamente a vida ao modo “Tudo que vive e existe, merece viver e existir” (Leonardo Boff)! Para ter consistência nos argumentos, como faz tão bem o autor da citação, ela vai ter que, em alguma hora, contestar às bases de consumo e de produção (que tem sido muito pouco negligenciada por esse marketing dito verde e sustentável) do sistema ao qual estamos inseridos, pois o mesmo dá conta de transformar em mercadorias tudo àquilo em que se pode atribuir um valor.

No que desrespeito aos animais, esses têm sido vítimas desse sistema que criamos e reproduzimos na sociedade, sem que demos nenhuma chance de eles se rebelarem contra ele: são geneticamente modificados, encarcerados, maltratados, judiados, manipulados, marcados, assassinados, mutilados, comercializados e (em muitas ocasiões) descartados.

Pode parecer viagem, mas questiono o porquê de nós seres humanos acharmos tão ultrajante “ceder” qualquer direito aos animais por considerarmos estúpidos (como, por exemplo, considerar crime quem os maltrata, ou então haver políticas públicas que viabilizem a castração – já que não existem clínicas que façam esse serviço de graça, e tantas outras que são pautadas pelas organizações que se preocupam com o seu bem estar).

É fato que mulheres, travestis, lésbicas, negros, gays, portadores de deficiência, pobres, nordestinos, idosos, sem-terras, indígenas e etc. são segregados, destituídos de direitos e, em alguns tristes episódios, assassinados em crimes de ódio. Entretanto, cachorros, gatos e outros animais passam pelo mesmo problema.

Qual será então a nossa posição: Ocupar um dos extremos? É direito dos animais de um lado e direitos humanos de outro fazendo cabo de guerra? Ou romper com esse pensamento que nos separa do ambiente natural (com a preocupação de não negligenciar a historização do mesmo) e incluir no mesmo ativismo a luta em prol da vida nas suas formas mais diversas?

De minha parte, como militante dos direitos humanos (em especial pelos direitos das mulheres, travestis, lésbicas, negros, gays, portadores de deficiência, pobres, nordestinos, idosos, sem-terras, indígenas e etc.) e apaixonado pelos animais (em especial o aniversariante do dia) incluo no mesmo ativismo o direito de viver e existir que compete a cada um. Liberação dos homens e mulheres, liberação dos animais!

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1 Comentário

  1. Helô disse:

    Isso aí, Tiago!!!! Pela igualdade entre os seres!!!

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