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Mesmo que isso não caiba mais em mim…

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O julgamento de pessoas quaisquer, alheias e corriqueiras, dessas que a gente vê ou de relance, ou uma única vez, ou mesmo raramente, nunca me importou. Suportar o que elas achavam do meu modo de ser e viver é uma prática tão natural quanto beber água. Na verdade, nem sempre foi assim, foi algo que passou a se tornar assim, um peso muito leve, desses que carregamos na ponta dos dedos.

Agora o julgamento das pessoas que amo tem uma medida incomensurável: pesado demais; grande demais; não cabe em nenhum lugar, quanto mais dentro de mim.

Quando enfim admitimos para o/a outro/a, sejam por ações ou palavras, o que somos, por mais que, lá no fundo, saibamos quem somos e quem o outro é, a surpresa e o sobressalto estão presentes. Tamanha estranheza e silêncio, que são muito mais brutais que a raiva e o ódio, deve ser a forma de se indignar, de perguntar a si mesmo/a: o que eu fiz de errado? Onde foi que eu errei?

O que nos separa é uma fina parede de cristal, onde qualquer contato pouco descuidado pode quebrar. Só nos resta dar espaço e observar como vamos nos comportando para reagir. Talvez dissimular.

E no silêncio de nos mesmos, as perguntas ecoam:

Estamos dispostos ao diálogo?

Falo primeiro ou deixo o/a outro/a falar?

Vamos fingir que nunca aconteceu e voltar ao que era antes? Isso, vamos continuar nos enganando…

Vamos aceitar que algo está e sempre esteve fora da norma e não significa dizer que é errado?

Ou não estamos dispostos a aceitar que eu estou fora da norma e que sim, isso é errado?

Dizem que o suicídio é covardia de quem tem medo da vida. Eu já acho o contrário. Não há coisa mais resoluta que um suicídio. Põe um fim há algumas questões, sofrimentos e angústias de forma irreversível, mesmo que pareça muito egoísta. É preciso muita coragem para tomar essa atitude. No entanto eu sou um covarde. Não tenho coragem nem de me por um fim. Não pela dor que posso sentir antes de mais nada sentir, não que tenha medo do que possa me acontecer depois que eu morrer, mas pela dor que os outros podem sentir por mim, pelos medos que os outros podem sentir por mim.

Incrível como é fácil dizer tudo para pessoas que em tão pouco tempo tenho convivido e tão difícil para quem esteve a vida toda comigo. Enquanto isso, por questão de sobrevivência, por medo do abandono e do desprezo, eu mesmo acho e algumas pessoas me aconselharam que fosse preferível não mencionar quem sou, que é melhor não me abrir se pressinto uma reação negativa. Mesmo que isso não caiba mais em mim.

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