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Machismo: o desafio de enfrentá-lo no cotidiano

Considero-me uma pessoa que conhece muita gente. Interajo, faço graça, converso e participo. Entretanto, isso de maneira alguma significa que eu considere as pessoas que cotidianamente interajo como amigas ou que queira um bem acima do normal. Esse sentimento costumo a dedicar a pouquíssimas pessoas e, não a toa, são todas elas mulheres.

Uma viagem de campo que fiz com uma equipe do meu trabalho, ela toda composta por homens, reforçou ainda mais a minha predileção pela companhia das mulheres e põe o desafio de construir alguma amizade que seja nesse novo lugar. Posso adiantar que é muito pouco provável que se essa amizade surgir, seja por alguém do sexo masculino.

Pois bem, hoje, o caminho de ida da sede até a comunidade e de volta da comunidade até a sede foi regado pelo machismo. Mulheres e homossexuais foram evocados de forma chula e amplamente objetificados. Em um carro em que iam cinco pessoas, todas elas do sexo masculino. Quatro relatavam as suas histórias de dominação masculina e se divertiam com os causos de opressão.

Eu estava em desvantagem e a única forma que encontrei de não participar de forma alguma daquilo foi bancar o esquizofrênico. Virei a cara para a janela e fingi não dar atenção alguma à conversa. Mas não estava surdo. Eu ouvi tudo e dentro mim a minha indignação gritava. Tive vontade de abrir a porta do carro e me jogar estrada abaixo.

Talvez a minha fama de antissocial e antipático, que é a impressão inicial que as pessoas normalmente tem de mim quando me veem, tenha se reforçado. Entretanto, com essa fama eu não me preocupo. Para mim, mas vergonhoso que ser antissocial, antipático, metido, nerd, besta e variações é ser machista, reproduzir o machismo e ter orgulho disso. Não me reconheceria se levasse a diante esse título.

Na minha cidade natal, encontrei pessoas e me aliei a elas para combater esse mal em mim, no meu cotidiano e quem me circunda, pois éramos todos/as relativamente iguais, compartilhávamos uma mesma cosmovisão. Aqui, sinto que será diferente e difícil. Por hora os leões e leoas da minha rebeldia estão sendo domados(as). Só não posso garantir que manterei esse comportamento sempre. Resta encontrar uma maneira de como combater esse mal nesse meu novo cotidiano, onde as cosmovisões sobre o masculino e o feminino estão tão engessados. Eis um desafio que se torna mais difícil quando não se tem aqui, com quem se dividir isso.

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